Eterna decisão

ROTANEWS176  08/08/2026 09:10

ESPECIAL DIRETO DA REDAÇÃO  DO JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS

O dia 24 de agosto remete a profundos significados na jornada de mestre e discípulo Soka pela paz no mundo

Reprodução/Foto-RN176 Momentos do jovem discípulo Daisaku Ikeda, em ambas as imagens, com seu mestre, Josei Toda, estabelecendo as bases do avanço do kosen-rufu (Japão, mar. 1958). Dr. Daisaku Ikeda Ele foi  um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional

Trechos do ensaio “24 de Agosto: Início de Minha Jornada de Unicidade de Mestre e Discípulo”, de autoria do presidente Ikeda.

DR. DAISAKU IKEDA

[O presidente Ikeda relembra o primeiro encontro com seu mestre da vida, Josei Toda, numa reunião de palestra no bairro de Ota, na noite de 14 de agosto de 1947.]

Quanta convicção ele transmitia em suas palavras! Como era lógica e coerente sua explanação do escrito Estabelecer o Ensinamento para a Pacificação da Terra (jap. Rissho-ankoku-ron)! Decidi naquele mesmo instante tornar-me seu discípulo. Daquele dia em diante, meu juramento e meus esforços para realizar o kosen-rufu com o mesmo espírito e a mesma dedicação do meu mestre consumiram meu ser como uma paixão flamejante que arde com uma intensidade cada vez maior. (…)

Meu mestre abriu audaciosamente o caminho para a realização do grande desejo do kosen-rufuque consiste na essência do Budismo Nichiren e, após realizar o propósito maior de sua vida, retornou com suprema dignidade ao Pico da Águia. (…)

Assim como meu mestre, tenho avançado com firmeza pelo caminho da justiça, sem um único dia de descanso. E meus companheiros têm se dedicado junto comigo com o mesmo comprometimento. Nós lutamos e vencemos. Não temos nenhum arrependimento.

Universidade Toda

Vinte e quatro de agosto, aniversário do dia em que abracei a fé, é a data em que renovo minha decisão visando ao kosen-rufu. (…)

O dia 24 de agosto de 1947 foi um domingo de muito calor. O percurso de Ota ao templo no bairro de Suginami naquele dia pareceu muito longo e penoso para alguém como eu que sofria de tuberculose e pleurite. A recitação do gongyo e do daimokuna cerimônia de concessão de Gohonzon pareceu durar uma eternidade e, por eu não estar acostumado a me sentar sobre os joelhos por muito tempo, minhas pernas adormeceram. Ainda me lembro de forma vívida do desconforto, da dor e do turbilhão de emoções que senti naquele dia. (…)

Naquela época, eu ainda não tinha plena compreensão dos profundos ensinamentos do budismo. Além disso, minha família se opunha à minha decisão. Mas transcendendo essas questões superficiais, o que de fato me atraía era o caráter de Josei Toda.

Ele confiava em mim, e me dizia: “Vamos, não hesite! Desafie seu espírito de procura comigo! Estude e pratique com coragem, assim como cabe a um jovem!”. Minha intuição de jovem dizia-me que podia seguir com segurança aquele homem que havia sido preso durante a guerra em defesa da paz e do budismo. Nesse sentido, 24 de agosto marcou meu ingresso na “Universidade Toda”. Uma vida dedicada à verdade tem início com a relação entre mestre e discípulo.

Reprodução/Foto-RN176 Da dir., para esq., segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda e seu discípulo Daisaku Ikeda, terceiro presidente  da Soka Gakkai Internacional. Dr. Daisaku Ikeda Ele foi  um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional                                                 

Seikyo Shimbun

Dia 24 de agosto de 1950 — terceiro aniversário de minha conversão. Os negócios de Toda sensei passavam por sérias dificuldades e muitos dos seus funcionários o denunciaram publicamente e abandonaram o emprego. Naquela situação desesperadora eu fui o único que continuou a auxiliá-lo. Recitei daimoku do fundo do coração e trabalhei com toda fúria para resolver os problemas que enfrentávamos.

Naquele dia, Toda sensei e eu nos encontramos com um jornalista e nos empenhamos sinceramente em corrigir várias interpretações equivocadas que ele sustentava. Esperávamos impedir matérias sensacionalistas e deturpadas da situação de Josei Toda. Depois do encontro com o jornalista em um café no distrito de Toranomon em Tóquio, Toda sensei e eu nos dirigimos ao Parque Hibiya. Paramos por um tempo para apreciar a paisagem ao longo do fosso que cercava o palácio imperial.

Enquanto caminhávamos, Toda sensei disse-me: “O Japão hoje desfruta liberdade de expressão. Ter um jornal próprio é um trunfo e uma fonte de força extraordinários. A Gakkai também precisa ter o próprio jornal um dia. Daisaku, gostaria que você começasse a pensar nisso visualizando o futuro”.

Seikyo Shimbun nasceu desse diálogo entre mestre e discípulo, no dia 24 de agosto, em meio às circunstâncias mais desoladoras.

Uma vida indestrutível

Naquela noite, após o término de sua habitual explanação sobre o Sutra do Lótus, Toda senseideclarou que renunciaria ao cargo de diretor-geral da Soka Gakkai [porque não queria que as dificuldades da editora prejudicassem a organização]. Logo depois, ele pediu desculpas por me causar tantos problemas, mas me assegurou que, mesmo deixando de ser diretor-geral, continuaria a ser sempre meu mestre.

Naquela época, a editora estava imersa em altas dívidas. Houve ocasiões em que meu mestre, corajoso como ele só, parecia tão abatido que chegava a ser doloroso vê-lo. Ele estava diante de um precipício, travando uma luta agonizante e desesperadora.

Eu também estava tão mal de saúde que, a qualquer momento, podia sofrer um colapso. Porém, com forte espírito de luta e cheio de paixão juvenil, disse-lhe: “Sensei, por favor, não se preocupe! Encontrarei uma solução para essas dificuldades. Estou determinado a vê-lo como presidente da Soka Gakkai!”. Todo o meu ser ardia com a decisão de proteger a vida do meu mestre, não importando o quê. (…)

Pelo fato de Toda sensei e eu cultivarmos uma união inabalável como mestre e discípulo, conseguimos superar aqueles tempos severos. E, no ano seguinte, em 3 de maio de 1951, Josei Toda assumiu como segundo presidente da Soka Gakkai numa cerimônia histórica, gloriosa, realizada num dia ensolarado e de céu azul. (…)

O modo de vida Soka é um drama verdadeiramente sublime e maravilhoso de autorrealização — cada pessoa cumprindo sua missão única nesta existência, protegida, cuidada e estimada por muitos companheiros na fé. (…)

Não podemos levar fama ou bens materiais para nossa próxima existência. Assim sendo, uma vez que vivemos, vamos nos dedicar à eterna e indestrutível Lei Mística. Uma vida assim é igualmente eterna e indestrutível.

Leia mais

Veja a íntegra deste ensaio publicado no Brasil Seikyo em três partes.

Parte 1 (ed. 2.6 14, 2 jul. 2022, p. 10-11)

Parte 2(ed. 2 .615, 16 jul. 2022, p. 10-11)

Parte 3(ed. 2 .616, 13 ago. 2022, p. 10-11)

FONTE: JORNAL SEIKYO SHIMBUN=JSS

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