Polir o coração por meio da fé
ROTANEWS176 08/08/2026 09:15
ENCONTRO COM OMESTRE
Por Dr. Daisaku Ikeda
Ikeda sensei descreve, nestes trechos de seus incentivos, como podemos realizar nossa transformação interior rumo à verdadeira felicidade

Reprodução/Foto-RN176 Presidente Ikeda e sua esposa, Kaneko, sentados à esq., tiram foto comemorativa com integrantes da SGI-Suíça (Genebra, 18 jun. 1989). Dr. Daisaku Ikeda Ele foi um filósofo, escritor, fotógrafo, poeta e líder budista da SGI atualmente o Mestre e Presidente da Soka Gakkai Internacional Foto: Seikyo Press
Lapidar nosso coração para que ele brilhe como o diamante
Nosso coração não brilhará se não o polirmos. Quando nos empenhamos na fé e polimos nosso coração como um diamante, atingimos um estado de genuína felicidade.
DR. DAISAKU IKEDA
Qual é o propósito da nossa prática budista? É nos tornarmos, todos, sem exceção, felizes. Esse também é o objetivo da nossa organização em prol do kosen-rufu. Aqueles que abraçam firmemente a Lei Mística jamais se tornarão infelizes. É importante ter convicção nisso. Essa confiança, essa certeza, gerará imensa boa sorte.
O budismo expõe os “quatro sofrimentos” — nascimento, envelhecimento, doença e morte. Os membros radiantes e repletos de esperança da nossa Divisão dos Estudantes e das Divisões Masculina e Feminina de Jovens também envelhecerão. A doença e a morte são sofrimentos inevitáveis da vida. Usufruiremos uma existência que irradie sólida felicidade, acumulando mais e mais benefícios à medida que envelhecemos? Em vez disso, teremos uma vida marcada por frustrações e desapontamentos, tornando-nos cada vez mais tristes e solitários com os passar dos anos?
A Lei Mística incorpora o princípio de que “os sofrimentos do nascimento e da morte são nirvana”. Possibilita que sejamos eternamente jovens e dinâmicos, sempre manifestando esperança e concretizando nossos sonhos.
A Lei Mística incorpora também o princípio “desejos mundanos são iluminação”. Quanto mais numerosos forem nossos problemas, mais poderemos expandir nosso estado de vida com base na fé e converter tais adversidades em combustível para nossa própria felicidade. Podemos mudar tudo para a positividade, transformar veneno em remédio.
A época da juventude, em particular, é oprimida por problemas e preocupações. Mas é assim que deve ser. Os jovens não poderão se tornar grandes líderes sem vivenciar dificuldades ou empreender esforços. Por meio do empenho e do trabalho árduo, eles se fortalecerão e crescerão.
Nichiren Daishonin escreveu: “O que importa é o coração”.1
Aqueles que possuem um coração de fé cristalina e sólida como o diamante são brilhantes vencedores que desfrutam um estado de felicidade igualmente indestrutível. São eternos vitoriosos. Aonde quer que vão, onde quer que morem, aí se encontra um palácio real. Eles possuem uma condição de vida vasta e sublime, como se fitassem serenamente o universo todo.
Em contraste, existem aqueles que, apesar de aparentarem ser excelentes e íntegros, na realidade são moralmente corruptos e desonestos.
Devemos lapidar o diamante da nossa fé. Uma gema bruta só brilha se for lapidada. O diamante da nossa fé só é lapidado pela recitação do Nam-myoho-renge-kyo e pela dedicação em prol do kosen-rufu. Uma vida devotada à missão de promover o kosen-rufu infalivelmente entrará na rota da felicidade duradoura — uma condição maravilhosa de júbilo constante.
Nossa prática budista nos possibilita alcançar um estado de vida vasto e expansivo, no qual podemos acolher quaisquer acontecimentos com coragem e alegria e continuar avançando de forma positiva.
Extraído de um discurso proferido numa conferência comemorativa com representantes tailandeses, Tailândia, em 2 de fevereiro de 1992.
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Reprodução/Foto-RN176 Participantes do encontro da Universidade do Humanismo Soka e da Juventude Soka na Vanguarda da BSGI (São Paulo, SP, 27 jun. 2026). Foto: BS
Tornar-se mestre da própria mente
Para realizar uma grande transformação em nosso estado de vida, precisamos nos libertar do domínio da nossa mente fraca e vacilante; devemos nos tornar mestres da nossa mente e conduzir nossa existência dessa maneira.
DR. DAISAKU IKEDA
“O que importa é o coração”.2 O coração, a mente, é realmente prodigioso e insondável. Nossa vida interior não tem fronteiras. Além disso, podemos aprofundá-la infinitamente.
A mente pode se elevar a um estado de vida de imensa alegria, como se estivéssemos voando livremente, sem esforço algum, pelo vasto céu azul. Pode irradiar uma compaixão calorosa e reconfortante como a luz do sol, que a tudo ilumina, e envolver nesse abraço acolhedor aqueles que estão sofrendo. Pode tremer de ira justificada e subjugar o mal e a injustiça com a coragem e a ferocidade de um leão. Enfim, muda a cada instante, como um drama cheio de surpresas ou uma paisagem que dá lugar a outra a cada momento.
O que há de mais maravilhoso no que diz respeito à mente é o fato de ela manifestar o estado de buda. Mesmo as pessoas cercadas pela mais profunda ilusão e sofrimento podem ativar, nas profundezas de sua vida, o estado de buda, que é uno com o Universo. Essa epopeia colossal de transformações é, na verdade, o maior de todos os prodígios.
O budismo reconhece a suprema nobreza e o potencial para uma extraordinária transformação inerentes à vida de todas as pessoas. Com base nesse fato, Nichiren Daishonin ensinou que, aprimorando totalmente sua vida por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, qualquer um — por mais fundo que esteja mergulhado na ignorância ou ilusão — pode revelar seu estado de buda e transformar até o local mais maléfico e maculado numa terra pura. Myoho-renge-kyo é a “verdade mística inerente nos seres vivos”.3,4
É por isso que, por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo, podemos lustrar o espelho embaçado da “mente que se encontra encoberta pela ilusão da escuridão inata da vida” tornando-o “um espelho límpido, que refletirá a natureza essencial dos fenômenos5 e da realidade”6e, desse modo, revelar nossa natureza de buda interior. Em outras palavras, podemos manifestar a “verdade mística inerente”7 e acessar o potencial infinito que reside dentro de nós.
Myoho-renge-kyo é a Lei inerente à nossa vida. A transformação interna de momento a momento que efetuamos mediante a recitação do Nam-myoho-renge-kyo acarreta não somente uma mudança fundamental em nossa mentalidade, mas em nosso modo de vida como um todo, colocando-nos no rumo da consecução do estado de buda nesta existência. Além disso, gera uma onda de grande transformação de toda a humanidade chamada kosen-rufu. Myoho-renge-kyo é o pulsar dinâmico da mudança em todas as esferas.
O fato de o Myoho-renge-kyo ser a Lei inerente à nossa vida suscita outra questão a ser considerada: a relação entre a mente iludida — uma mente encoberta pela escuridão inata — e a mente iluminada, ou myo — uma mente iluminada pela natureza essencial dos fenômenos e pelo verdadeiro aspecto da realidade.
Se simplesmente seguirmos nossa mente não iluminada, facilmente influenciável, nosso potencial definhará rapidamente. Ou pior, podemos ceder a impulsos negativos e destrutivos. Essa é a natureza sutil das funções mentais. Como nossa mente é a chave para atingirmos o estado de buda nesta existência, precisamos vencer nossas próprias fraquezas internas, e é justamente nessa circunstância que atua nossa prática budista.
A mente iludida das pessoas comuns está sempre vacilando. Não devemos tomar essa mente, que muda e se altera constantemente, como base ou guia. É esse o significado da famosa passagem do sutra: “Devemos ser mestres de nossa mente em vez de permitir que ela nos domine”.8,9
Daishonin cita esse trecho referente a se tornar mestre da mente em várias partes de seus escritos, fornecendo uma importante diretriz para seus seguidores. Tornar-se mestre da própria mente significa possuir uma sólida bússola na vida e um luminoso farol da fé.
Não devemos nos deixar dominar pela nossa mente não iluminada que muda conforme as circunstâncias. Necessitamos de um mestre para ajudar a guiá-la na direção certa. Nesse sentido, os verdadeiros mestres da mente são a Lei budista e os ensinamentos do Buda. Shakyamuni jurou fazer da Lei à qual havia se iluminado o mestre ou guia de sua mente, e orgulhava-se de viver de modo fiel a esse juramento. Esse é o significado de viver “confiando na Lei”, salientado por Shakyamuni em sua derradeira injunção a seus discípulos antes de morrer.
Permitir que a nossa mente nos domine consiste em adotar a nós próprios e nossos impulsos egoístas como alicerce. No fim, nossa mente instável nos atirará de um lado para outro, sucumbiremos ao egoísmo e mergulharemos nas profundezas da escuridão ou ignorância.
De maneira inversa, dominar a nossa mente indica adotar a Lei como nossa base.
Um mestre no budismo é alguém que conduz as pessoas à Lei e as conecta a ela, ensinando-lhes que a Lei com a qual elas devem contar existe dentro da própria vida. Os discípulos, por sua vez, buscam o mestre que incorpora a Lei e é uno com ela. Mirando-se no mestre como modelo, eles se empenham na prática budista. Dessa forma, abraçam um modo de vida que os habilita a dominar a mente.
Em outras palavras, para se atingir o estado de buda nesta existência, é indispensável que haja um mestre — aquele que incorpora a Lei e vive de acordo com ela e ensina às pessoas sobre o vasto potencial interior que elas possuem.
Sou o que sou hoje por causa de meu mestre, o segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, que praticou conforme os ensinamentos do Buda e dedicou a vida à ampla propagação do Budismo de Nichiren Daishonin na época atual. Toda senseiestá sempre comigo, como meu mestre espiritual. Continuo mantendo diálogos com ele em meu coração, a todo instante, todos os dias. Esse é o espírito de unicidade de mestre e discípulo.
Aqueles que sempre mantêm com firmeza seu mestre espiritual como um modelo e bússola e se esforçam conforme esse mestre ensina são pessoas que vivem com base na Lei. O Budismo de Nichiren Daishonin é um ensinamento fundamentado na unicidade de mestre e discípulo.
Adaptado de Atingir o Estado de Buda nesta Existência, publicado em português em agosto de 2019.
Dicas de leitura
Livro Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 1: A Felicidade.
Para mais informações, clique aqui.
Fonte:
IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 1: A Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 146-152.
Notas:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 267, 2017.
2. Ibidem.
3. A “verdade mística inerente nos seres vivos”: Referência à Lei Mística, ou Nam-myoho-renge-kyo, que existe em cada vida. Ao despertarmos para essa Lei, manifestamos o grandioso estado de buda. A verdade mística também indica o nosso estado de buda inerente ou nossa natureza de buda.
4. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 3, 2020.
5. Natureza essencial dos fenômenos: Também, “natureza do Darma”, ou iluminação.
6. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 4, 2020.
7. Ibidem, p. 3.
8. Citação extraída do Sutra dos Seis Paramita.
9. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 525, 2020.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS



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