ROTANEWS176 18/07/2026 08:25
CONHEÇA O BUDISMO DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
O Nam-myoho-renge-kyo é a fonte para vencer os sofrimentos e transformar desejos mundanos em iluminação

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico de ilustração da matéria
No budismo Hinayana, ensinamento anterior ao Sutra do Lótus, pregava-se que os sofrimentos têm origem nos desejos e que precisamos eliminá-los da nossa vida para atingir a iluminação, ou seja, o estado de buda. No entanto, o buda Nichiren Daishonin ensina que a recitação do Nam-myoho-renge-kyo nos possibilita utilizar os chamados “desejos mundanos” para manifestar nossa felicidade e inspirar as demais pessoas a fazer o mesmo. Daishonin declara: “No estágio do calor, a pessoa emprega o fogo da sabedoria para queimar a lenha dos desejos mundanos até soltar fumaça. Portanto, é denominado de estágio do calor”.1
Com base nesse conceito, o presidente da Soka Gakkai Internacional (SGI), Dr. Daisaku Ikeda, afirma:
O budismo ensina que “desejos mundanos são iluminação”. De forma bem simples, “desejos mundanos” referem-se aos sofrimentos, aos desejos e anseios que nos fazem sofrer, ao passo que “iluminação” corresponde à felicidade, a um estado de vida iluminado.
Em geral, as pessoas pensariam que desejos mundanos e iluminação são coisas separadas e distintas — especialmente pelo fato de o sofrimento ser exatamente o oposto da felicidade. Mas esse não é o caso no Budismo de Nichiren Daishonin, segundo o qual a “chama” da felicidade só se acende quando queimamos a “lenha” dos problemas e sofrimentos. Em outras palavras, nossa vida irradia a “luz” e a “energia” da felicidade quando usamos os sofrimentos como combustível. É por meio da recitação do Nam-myoho-renge-kyo que “queimamos a lenha dos desejos mundanos”.
Quando recitamos Nam-myoho-renge-kyo, todos os nossos problemas e sofrimentos se transformam em energia para nossa felicidade, em combustível que nos permite continuar avançando em nossa vida.2
Nesse contexto, a palavra “mundano” é utilizada no sentido de algo derivado do “mundo”. Portanto, a expressão “desejos mundanos” deve ser entendida como “desejos do mundo” ou “desejos materiais”. Muitas pessoas almejam um bom emprego, enquanto outras querem uma bela casa. Há aquelas que lutam para superar o carma de doença ou para criar um bom relacionamento familiar. Todos esses desejos fazem parte da vida de qualquer pessoa e compreendem os desejos mundanos, que evidentemente não podem ser erradicados. Porém, a prática do Budismo de Nichiren Daishonin faz com que tais desejos se transformem em iluminação, isto é, em felicidade.
Ser feliz é ter uma vida livre de problemas?
O princípio “desejos mundanos são iluminação” vem do termo, em japonês, bonno soku bodai. A palavra bonno, às vezes, é traduzida como “ilusões” ou simplesmente “desejos”. Soku significa “ser igual” ou “simultâneo a”. E bodai quer dizer “conhecer”, “entender”, “sabedoria perfeita” ou “iluminação da mente”.
Entretanto, para entendermos corretamente esse princípio, é importante compreender que a prática budista não é direcionada para que os problemas se resolvam por si sós ou para que as dificuldades simplesmente deixem de existir. Ela é voltada para que manifestemos sabedoria para encará-los como oportunidades e elevar nossa condição interior de vida com a recitação do daimoku, bem como coragem e determinação para realizar ações concretas a fim de alcançarmos nossos propósitos. Essa postura faz com que aprofundemos a convicção no budismo com base na comprovação real da nossa transformação pessoal e do nosso ambiente. Sobre esse ponto, o presidente Ikeda esclarece:
Não há ninguém livre de problemas ou preocupações. Da mesma forma, não há nenhuma família nem sociedade que não tenham sofrimentos. A vida é uma batalha contra as adversidades. O importante é como resolver os diversos problemas e sofrimentos que nos afligem. Devemos acumular esforços invocando a sabedoria rumo à vitória após a superação das dificuldades. O modo de viver sonhando com uma situação livre de adversidades, fugindo da realidade, é de derrota. Pessoas que estão sempre se esforçando positivamente, pensando em como superar cada problema e transformá-lo em fonte de valor e de vitória, são vencedoras da vida. A determinação mental da pessoa define sua vida.3
Controlar, não ser controlado
O segundo presidente da Soka Gakkai, Josei Toda, salienta:
O Gohonzon possibilita-nos perceber nossos apegos a desejos mundanos exatamente como são. Acredito que cada um dos senhores tenha apegos. Eu também tenho. Por termos apegos, podemos conduzir uma vida interessante e significativa. Por exemplo, para ter sucesso nos negócios ou realizar muito shakubuku precisamos ter apego com relação a essas atividades. Nossa fé permite-nos manter esses apegos de forma que não nos façam sofrer. Em vez de sermos controlados pelos apegos precisamos fazer pleno uso deles a fim de sermos felizes.5
Por meio da prática budista, é possível purificar os desejos básicos, transformando, por exemplo, o egoísmo, o apego a ganhos materiais e supérfluos em sentimentos mais nobres e altruísticos, despertando no coração a intenção de utilizar tudo aquilo que almeja em prol da paz e da felicidade das outras pessoas.
O simples fato de possuirmos desejos não significa que estamos automaticamente “iluminados”. A chave para a transformação dos desejos mundanos em iluminação é a recitação do Nam-myoho-renge-kyo ao Gohonzon. Quando oramos daimoku com sincera fé ao Gohonzon, desenvolvemos o autocontrole para não sermos dominados pelos desejos mundanos e eles se tornarem a força propulsora para nosso próprio crescimento.
Felicidade é uma condição coletiva
A existência de desejos e apegos é uma condição da nossa existência no mundo real. Por consequência, assim como cada um de nós, individualmente, a sociedade também é regida por desejos e necessidades das mais variadas naturezas. Na obra Escolha a Vida, o presidente Ikeda enfatiza:
É essencial controlar o desejo para que ele possa desempenhar um papel no direcionamento da humanidade, da sociedade e do Universo no caminho da vida criativa. O controle, e não tentativas fúteis de extinção, é a maneira significativa de lidar com os desejos.6
O futuro da humanidade está intrinsecamente ligado à maneira como as pessoas direcionam a vida. Nossa própria revolução humana, ou seja, a transformação interior, com base na prática budista, reflete no ambiente e beneficia as pessoas ao redor, incentivando-as a buscar também o autoaprimoramento, conforme o Mestre orienta: “Quanto mais sofrer, quanto mais se preocupar, maiores serão as alegrias e os benefícios de que desfrutará. Essa boa sorte será também fonte de sucesso e prosperidade por todo o futuro de seus familiares e parentes”.7
Em última análise, não é possível sermos verdadeiramente felizes se estivermos sozinhos. A missão do nosso movimento pelo kosen-rufué plantarmos a mais nobre “semente da felicidade” no coração das pessoas, conforme oramos diariamente ao Gohonzon em um trecho do gongyo: “Medito constantemente: ‘Como posso conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram rapidamente o corpo de um buda?’”.8
Dessa forma, compreendendo e aplicando o princípio de “desejos mundanos são iluminação”, vamos determinar nossos objetivos baseando-nos na recitação do Nam-myoho-renge-kyo em primeiro lugar, conscientes de que esse esforço influenciará positivamente não apenas nossa vida, mas também a sociedade.
Budismo em ação
Incentivos do presidente Ikeda sobre a prática da fé em forma de perguntas e respostas.
Quão importante é a determinação para vencer as adversidades?
DR. DAISAKU IKEDA
O Budismo de Nichiren Daishonin ensina que os anseios devem ser usados como um trampolim para estabelecer um caminho indestrutível para a felicidade. Nosso desejo de tirar as melhores notas na faculdade e levar uma vida tranquila são desejos mundanos. O ardente desejo de salvar o Japão e de realizar a paz mundial também são desejos mundanos, uma grande ambição. Se tivermos como base a prática budista, não haverá problema em acalentar tais desejos no dia a dia. Ao contrário, quanto maior for o desejo, maior será a sabedoria do buda. Esse é o verdadeiro espírito do budismo. (…)
Mesmo quando estiverem participando das atividades ou orando ao Gohonzon, o mais importante é a profunda determinação no âmago da vida. Se a fé for apenas formal e superficial, arrastada pela rotina e pela obrigação, não existirá a verdadeira alegria nem a iluminação. Se atuarem com forte determinação, sentirão alegria nas atividades da Gakkai, seu semblante ficará melhor e terão sabedoria no trabalho. E mesmo que haja obstáculos e sofrimentos no percurso da vida, conseguirão realizar a transformação do veneno em remédio e, no final, atingirão o estado de buda nesta existência. Ao contrário, mesmo que por um momento aparentem estar bem, se perderem a fé, o que os espera no final é a miséria. Nesse caso, a vida será uma derrota. A vitória ou a derrota dependerão de como vivermos o final da nossa vida, e se conseguiremos receber a morte com tranquilidade, satisfação e alegria. E isso decidirá a trajetória para a felicidade eterna pelas três existências. Nos ensinamentos cristãos existe o conceito de “Juízo Final”. Porém, não é algum ser onipotente que julgará as pessoas; cada um será julgado pela lei de causa e efeito da vida. O céu e o inferno existem dentro da nossa própria vida. Com relação aos sofrimentos do inferno, Daishonin diz: “Quando alguém cai em um lugar maligno como esse, de nada valerá ter sido governante ou um general; tudo perde importância. Atormentada pelos guardiões do inferno, a pessoa não difere de um macaco acorrentado”.¹ Ou seja, está dizendo que diante da grande agonia da vida chamada inferno, a posição ou o título social, tal como de um rei ou de general, não terá qualquer significado. O aspecto de estar sendo manipulado pelo sofrimento é como o macaco preso pela corda e manipulado pelo domador. Se vamos coroar o final da nossa vida com a grande vitória ou não é um tema muito importante do ponto de vista da vida eterna. Por isso, devemos trilhar este grandioso caminho da fé até o último instante.
Fonte:
IKEDA, Daisaku. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 6, p. 254-257, 2022.
Nota:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 293-294, 2017.
Dica de leitura
Confira o princípio budista das “quatro virtudes”, abordado no suplemento Guia para a Vitória, que acompanha esta edição do Brasil Seikyo. Ele elucida a origem e natureza dos sofrimentos em nossa vida e como transformá-los em virtudes iluminadas pela natureza de buda.
Fontes:
Brasil Seikyo, ed. 1.722, 8 nov. 2003, p. A5.
Idem, ed. 2.642, 9 set. 2023, p. 21.
Idem, ed. 1.723, 15 nov. 2003, p. A7.
Notas:
1. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. II, p. 453, 2017.
2. IKEDA, Daisaku. Sabedoria para Criar a Felicidade e a Paz — Parte 1: A Felicidade. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 171-172.
3. Idem. Nova Revolução Humana. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. 30-II, p. 288-289, 2022.
4. RDez, ed. 264, dez. 2023, p. 4.
5. IKEDA, Daisaku. Sutra do Lótus: Preleção dos Capítulos “Meios Apropriados” e “A Extensão da Vida”. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2025. p. 64.
6. IKEDA, Daisaku. TOYNBEE, Arnold. J. Escolha a Vida. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2022. p. 427-428.
7. IKEDA, Daisaku. Aprender com os Ensinamentos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2026. p. 374.
8. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 335, 2020.
FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS
















