Amigos são um dos maiores tesouros da infância e da adolescência

ROTANEWS176 18/07/2026  08:30

MATÉRIA GRUPO CORAÇÃO DO REI LEÃO

Por Grupo Coração do Rei Leão

Reprodução/Foto-RN176 Foto de destaque da matéria

Você se lembra de como era a vida quando a maior decisão do seu dia se resumia em escolher quem seria o goleiro no futebol de rua ou quem seria o primeiro a procurar os demais na brincadeira de “esconde-esconde”? Aquelas tardes intermináveis em que inventávamos jogos com regras que mudavam a cada cinco minutos (e que só faziam sentido na nossa cabeça) não eram apenas passatempos. Eram, na verdade, nossos primeiros laboratórios da vida.

Na infância e na adolescência, as amizades não são apenas uma forma de diversão. Elas representam um dos principais caminhos para o crescimento pessoal, emocional e social. É justamente nessa fase que os jovens começam a descobrir quem são, quais são seus valores, como lidar com as diferenças e como construir relacionamentos saudáveis que poderão acompanhá-los por toda a existência.

Cada amizade é uma oportunidade de aprendizado. Ao conviver com pessoas de diferentes personalidades, gostos e histórias, crianças e adolescentes desenvolvem respeito, empatia, cooperação e capacidade de resolver conflitos. Aprendem que nem sempre todos pensam da mesma maneira, mas que é possível dialogar, compreender o outro e fortalecer os vínculos mesmo diante das diferenças.

O poeta alemão Johann Schiller (1759–1805) dizia que: “A amizade multiplica as alegrias e reduz as tristezas pela metade”. Ter pessoas com quem conversar, brincar, estudar ou simplesmente compartilhar o dia a dia contribui para o desenvolvimento da autoconfiança, do sentimento de pertencimento e da segurança emocional.

É claro que quantidade não substitui qualidade: mais importante que termos muitos seguidores nas redes sociais é encontrarmos, em uma sociedade que tende ao isolacionismo, pessoas de forte caráter e que estão dispostos a partilhar um pouco de seu tempo e atenção para criar laços sólidos.

Hoje, quando grande parte das interações acontece por meio das telas, vale lembrar que nenhuma conversa por aplicativo substitui completamente uma boa brincadeira ao ar livre, um jogo em equipe, um passeio ou um encontro presencial. As experiências vividas lado a lado criam memórias, fortalecem laços e ensinam habilidades sociais que serão úteis na escola, na universidade, no trabalho e na vida em comunidade.

No livro A Arte das Relações Autênticas,1 diálogo de Ikeda sensei com a professora dedicada à filosofia da educação Sarah Wider, consta a seguinte reflexão:

Embora haja lugar para esse senso de imediatismo providenciado pelos aparelhos eletrônicos, há também o perigo real de não darmos atenção completa a alguém ou a uma situação. Todos parecem estar falando ao mesmo tempo, e em meio a todo esse clamor, pode ser que ninguém esteja ouvindo. A atenção se dissipa. A “conversa” vira uma repetição de clichês e comentários que envernizam uma superfície rachada.

Olho ao meu redor e tantos parecem “sobrecarregados”, com muito a fazer, muitos equipamentos chamando sua atenção, exigindo resposta, e uma sensação estressante de que a imagem “perfeita” que exibem está prestes a craquelar. Não é à toa que a insegurança esteja aumentando e os indivíduos se sintam mais solitários.

As amizades também ensinam responsabilidade. Um bom amigo aprende a ouvir, a cumprir a palavra, a pedir desculpas quando erra, a celebrar as conquistas do outro sem inveja e a oferecer ajuda quando alguém precisa. Essas pequenas atitudes constroem o caráter do indivíduo e formam cidadãos mais preparados para viver em sociedade.

Nós, enquanto pais, familiares e responsáveis, desempenhamos um importante papel nesse processo. Ao incentivar a participação das crianças e dos adolescentes para fazer parte de um grupo horizontal, participar das atividades da Gakkai e pertencer a outras coletividades saudáveis, ajudamos a criar um ambiente favorável para que essas amizades floresçam.

Ao falar sobre a importância da amizade, principalmente, nessa fase da infância e adolescência, o presidente Ikeda nos incentiva:

A amizade é o vínculo intangível que entrelaça um sentimento com outro até formar uma rede. Não é um relacionamento mediado pelos interesses tampouco tem a ver com posição social. Não se pode cultivar uma amizade verdadeira por meio de táticas ou de um tratamento superficial. Por outro lado, é uma relação que se constrói com base em sentimentos verdadeiros e sinceros de ambos os lados.

A amizade é o que existe de mais nobre e belo. O que pode dar mais força a nossa existência? Ela é o tesouro mais precioso que a vida nos dá. (…) Em especial, de todas as amizades, a mais nobre e bela é a que se cultiva na época da juventude. Quando se torna adulto, as rela­ções humanas se veem influenciadas por interesses e especulações. Muitas vezes, a amizade passa a ser uma expressão de um laço circunstancial e efêmero. Por outro lado, quando se é jovem, o coração não conhece esses elementos superficiais e alheios à amizade.2

Talvez você conheça uma criança mais tímida, um adolescente que acabou de mudar de colégio ou alguém que ainda está encontrando seu lugar entre os colegas. Um simples incentivo pode fazer toda a diferença!

As amizades construídas na infância e na adolescência frequentemente se transformam em algumas das lembranças mais felizes e, muitas vezes, nos relacionamentos mais duradouros da vida adulta. Incentivar esses vínculos é contribuir para a formação de pessoas mais confiantes, solidárias e felizes.

Cientes da importância que os “bons amigos” têm na vida de qualquer ser humano, vamos incentivar a fortalecer os laços de amizade entre os jovens, que tragam aspirações elevadas, apoio para os grandes impasses da vida e uma verdadeira companhia que os incentivem a perseguir seus sonhos até 2030 e por todo o futuro.

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. A Arte das Relações Autênticas. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, 2025. p. 215

2. Brasil Seikyo, ed. 1.407, 22 mar. 1997, p. A3.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS