Restrições alimentares

ROTANEWS176 18/07/2026  08:35

MATÉRIA DA DIVISÃO FEMININA

Por Divisão Feminina da BSGI

Respeito, acolhimento e cuidado em cada refeição

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artístico de ilustração da matéria

Querida amiga, tudo bem?

Gostaríamos de parabenizar e agradecer a todas as que participaram e apoiaram a realização dos encontros comemorativos dos 75 anos da Divisão Feminina. Realmente, foram encontros inspiradores, de coração. Muito obrigada!

Neste mês de julho, nossa matéria tem um sabor especial. O grupo Taiyo (que, com carinho, atua nos bastidores, auxiliando no preparo da alimentação em diversas atividades), da Divisão Feminina, compartilhará um tema muito presente em nosso dia a dia, acompanhado de uma receita que poderá tornar ainda mais agradável um chá da tarde entre amigas e familiares.

Você já parou para pensar que um simples convite para um café, festa de aniversário ou confraternização pode ser motivo de preocupação para quem tem restrições alimentares?

“Será que vou poder comer?” Essa é uma pergunta silenciosa que persegue muitas pessoas sempre que são convidadas para um evento assim. Ler cuidadosamente o rótulo dos alimentos, perguntar sobre ingredientes ou levar a própria comida para encontros sociais faz parte da rotina delas. É justamente por isso que conhecer um pouco mais sobre o tema também é uma forma de cuidar das pessoas.

Cada vez mais pessoas convivem com alergias alimentares, intolerâncias, doença celíaca, diabetes e outras condições que exigem cuidados específicos com a alimentação.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a alergia alimentar ocorre quando o sistema imunológico reage a determinado alimento, podendo provocar manifestações que variam de leves a graves. Já a intolerância alimentar está relacionada à dificuldade do organismo em digerir certos componentes dos alimentos, como acontece com a intolerância à lactose.

A doença celíaca, por sua vez, é uma doença autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em pessoas geneticamente predispostas. Nesses casos, o consumo de glúten provoca uma resposta inflamatória que danifica o intestino delgado e prejudica a absorção de nutrientes.

A Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) também alerta que alimentos como leite, ovos, trigo, soja, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar estão entre os principais causadores de alergias alimentares.

Alimentar é acolher

Mais que oferecer comida, receber alguém é um gesto de carinho, afinal alimentar é também acolher. Por isso, pensar em opções que atendam a pessoas com restrições alimentares é uma demonstração de respeito e inclusão. Um alimento preparado com segurança, devidamente identificado e livre de contaminação cruzada permite que todos participem dos momentos de celebração com tranquilidade.

No Budismo de Nichiren Daishonin, aprendemos a respeitar a dignidade de toda vida. O presidente Ikeda nos incentiva a cultivar esse espírito ao afirmar: “Devemos nos envolver com as pessoas, estar ao lado delas nos seus sofrimentos e em suas esperanças, até onde alcance a nossa força, para abrir o caminho da verdadeira felicidade, para nós e para os outros”.1

Como multiplicadoras de saúde por meio da boa alimentação, compreendemos que cozinhar é bem mais que preparar refeições, é também oferecer segurança, acolhimento e felicidade.

Como podemos acolher por meio da alimentação?

Pergunte previamente se há alguma restrição alimentar.

 Leia atentamente o rótulo dos produtos utilizados.

Evite a contaminação cruzada utilizando utensílios e superfícies limpas e, quando necessário, exclusivos para aquela preparação.

 Identifique corretamente os ingredientes das receitas.

 Nunca minimize uma restrição alimentar. Para muitas pes­soas, um pequeno descuido pode representar um grande risco.

Grande abraço!

Divisão Feminina da BSGI e grupo Taiyo

Transformar a vida

Reprodução/Foto-RN176 Taline Mendes

Eu me chamo Taline Mendes, tenho 41 anos e sou integrante da Sub. Congonhas, CNSP, e do grupo Taiyo.

Desde a adolescência, convivi com fadiga intensa, baixa imunidade e infecções frequentes. Passei por diversas internações e, durante muitos anos, nenhum exame conseguia explicar o que estava acontecendo comigo.

Em 2020, após mais uma internação, fiz uma forte determinação diante do Gohonzon para encontrar um médico que descobrisse a causa dos meus problemas. Foi então que recebi o diagnóstico de intolerância ao glúten, responsável pela má absorção de nutrientes que afetava minha saúde há tantos anos.

O diagnóstico trouxe alívio, mas também muitos desafios. Viver com restrição ao glúten exige planejamento constante, atenção a cada refeição, custos mais elevados e, muitas vezes, ter de lidar com a falta de opções e com situações de exclusão social.

No Taiyo, vivo experiências muito especiais. Além de me sentir acolhida, consigo usar minha vivência para ajudar outras pessoas com restrição alimentar a se sentir seguras e incluídas. Ver a alegria de quem finalmente encontra um alimento que pode consumir é algo que me emociona, porque conheço esse sentimento.

Uma orientação de Ikeda sensei me inspira profundamente: “Dedicar-se às pessoas mesmo em meio às próprias adversidades é uma forma de transformar a própria vida”.2

É isso que procuro fazer. Embora a vida sem glúten tenha seus desafios, sigo enfrentando cada um deles com determinação, transformando essa experiência em uma oportunidade de apoiar outras pessoas e contribuir para o kosen-rufu.

Notas:

1. IKEDA, Daisaku. Compaixão, Sabedoria e Coragem — Para a Humanidade Viver em Paz. Proposta de Paz de 2013. InTerceira Civilização, ed. 537, maio 2013, p. 20.

2. Brasil Seikyo, ed. 2.052, 18 set. 2010, p. A6.

Receita

Reprodução/Foto-RN176 Foto de ilustração da matéria 

Bolo de banana e aveia com gotas de chocolate (sem glúten e sem lactose)

Ingredientes

2 ou 3 bananas maduras (300 g)

3 ovos (150 g)

½ xícara de óleo (120 ml)

1 ½ xícara de farinha de aveia (200 g)

½ xícara de xilitol, mascavo ou demerara (130 g)

½ xícara de gotas de chocolate meio amargo ou amargo (90 g)

1 colher de chá de fermento (10 g)

½ colher de chá de canela em pó (opcional)

Modo de preparo

Etapa 1: Amasse bem as bananas com um garfo e reserve.

Etapa 2: Bata os ovos com um batedor de arame (fouet) até espumar, acrescente o açúcar, o óleo e as bananas bata até misturar bem.

Etapa 3: Acrescente a farinha de aveia e a canela em pó e mexa até misturar bem e formar uma

massa homogênea.

Etapa 4: Acrescente o fermento e mexa suavemente.

Etapa 5: Acrescente as gotas de chocolate e mexa devagar, só para misturar. (Dica: Passe as gotas de chocolate na farinha de aveia antes de colocar na massa, isso as ajuda a não descer tudo para o fundo do bolo.)

Passe a massa para uma forma untada e polvilhada com farinha de aveia ou alguma farinha sem glúten (use forma redonda de 20 cm). Leve para o forno preaquecido a 180 oC, asse por 35 a 40 minutos. Isso vai depender da potência do seu forno. Atente-se ao aroma, à aparência e ao teste do palito.

Retire do forno, pode polvilhar com chocolate ou canela.

Deixe esfriar um pouco e sirva.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS