Ideal que rompe barreiras

ROTANEWS176 18/07/2026  08:40

CONEXÃO JUVENTUDE SOKA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Reprodução/Foto-RN176 Desenho artista do ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela

Juventude de coragem

Rolihlahla Mandela nasceu em 18 de julho de 1918, na pequena aldeia de Mvezo, no Cabo Oriental. Ao ingressar na escola de Qunu, sua professora, Srta. Mdingane, atribuiu-lhe o nome Nelson, seguindo o costume da época de dar nomes “cristãos” aos estudantes.

Devido à posição de sua família, Mandela cresceu ouvindo os mais velhos narrarem histórias da bravura dos seus antepassados, relatos que o inspiraram a querer contribuir para a liberdade do seu povo.

No entanto, foi durante a juventude em Joanesburgo que compreendeu que a liberdade não seria um presente do destino, mas sim uma conquista construída com coragem, estudo e dedicação plena à causa social.

Viver por um ideal

Mandela iniciou seus estudos de artes na University College of Fort Hare,mas acabou expulso em 1940 devido ao seu envolvimento em protestos estudantis do movimento antiapartheid. Apesar do revés, ele não abandonou a educação: ingressou no curso de direito e, em 1952, ao lado do amigo Oliver Tambo, fundou o primeiro escritório de advocacia negro do país.

Ele também foi um dos fundadores da Liga da Juventude do Congresso Nacional Africano (ANCYL), ala na qual liderou a implementação de uma política de massas radical, porém não violenta, baseada em greves, boicotes e desobediência civil.

Ultrapassando as adversidades em prol das pessoas

Mesmo quando o regime colonial o condenou à prisão perpétua em 1964, o espírito de Mandela permaneceu livre. Enviado para a prisão de Robben Island, onde viveu dezoito anos, ele se recusou a aceitar o silêncio e o esvaziamento da alma impostos pelo cárcere. Ali, Mandela liderou um dos movimentos de resistência mais belos e pacifistas: organizou um sistema em que os prisioneiros ensinavam seus conhecimentos e técnicas especializadas uns aos outros. Lutou contra diversos obstáculos e expandiu com sucesso o direito de os presos políticos estudarem enquanto permaneciam encarcerados. Assim, ele venceu a tendência das prisões de destruir o espírito humano.

Em suas reflexões, o presidente Ikeda relembra o segundo encontro com o já presidente da África do Sul, em 1955, no Japão:2

Mesmo sob essas condições terríveis, Mandela conseguiu estudar e incentivar os outros prisioneiros a partilharem seu conhecimento uns com os outros e debaterem suas ideias. Palestras eram realizadas em segredo e a prisão veio a ser conhecida como “Universidade Mandela”. Ele jamais diminuiu seus esforços para transformar as visões errôneas e criar aliados entre os que o rodeavam. Posteriormente, seu espírito indomável conquistou o respeito até mesmo dos guardas da prisão. (…)

De dentro de sua cela, Mandela continuou a inspirar o povo da África do Sul. Embora ele não conseguisse se comunicar com as pessoas, sua própria existência já era uma fonte de esperança.

Essa busca incansável pelo saber foi o argumento mais profundo de Mandela de que a educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo. Ao partilharem conhecimentos e pensamento crítico dentro da prisão, os detidos mostraram que a opressão pode reter o corpo físico, mas jamais conseguirá encarcerar uma mente que sonha e estuda em prol de um ideal. Essa revolução silenciosa de aprendizado manteve vivo o sonho de uma África do Sul democrática.

Vitória da esperança

Quando finalmente caminhou rumo à liberdade em 1990, Nelson Mandela levou a força desse aprendizado. Eleito presidente em 1994, ele estendeu as mãos ao país sem qualquer rancor ou ressentimento.

Seu legado mostra que, ao criar uma condi­ção de vida baseada na esperança e no otimismo, provenientes da prática da fé, desenvolvemos a capacidade de sobrepujar os infortúnios, lapidando nosso coração e permitindo desenvolver uma rede de “valores humanos”.

Notas:

1. BIOGRAFIA de Nelson Mandela. Nelson Mandela Foundation. Disponível em: https://www.nelsonmandela.org/biography. Acesso em: 1º jul. 2026.

2. Terceira Civilização, ed. 660, ago. 2023.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS