O poder da convicção

ROTANEWS176 25/04/2026  08:55

NOTÍCIA DIRETO DA REDAÇÃO DO JORNAL BRASIL SEIKYO=JBS

Com base na prática da fé, Lenecleide encara a doença e comprova a força da oração, sem dúvida.

Reprodução/Foto-RN176 Lenecleide Silva Vaz. Na BSGI, é coordenadora da Divisão Feminina da Coordenadoria Rio Oeste, CGERJ.

Ser feliz é aprender a ser forte, avançando a cada dia com coragem e ilimitada esperança. Essa é a certeza a que chegou Lenecleide Silva Vaz, 62 anos, do alto de seus 55 anos de prática budista, “Que me treinaram a não ser derrotada pelas tempestades do destino”. Lene, como é conhecida e gosta de ser chamada, reside no Rio de Janeiro com o marido e os filhos. “A cada desafio, a cada onda que se levanta, basta que não tenhamos dúvida no coração”, ressalta, com a convicção de ter transformado um quadro de saúde que a deixou com 29 quilos, diante de médicos a observá-la no leito de hospital descrentes de sua recuperação. Isso foi há três anos.

Lene faz um recorte dos momentos decisivos de sua história. Sim, saúde faz parte do seu carma, o que motivou sua mãe, Teresinha, a encontrar a Soka Gakkai 55 anos atrás. “Ela tinha uma dor de cabeça crônica que já durava três meses e não conseguia dormir, chegou a pensar em tirar a própria vida e a nossa, seus três filhos”, relembra. Lene conta sobre o momento desesperador da mãe que, ao participar de uma primeira reunião budista, disse a si mesma: “Se me curar, vou praticar por toda a vida!”. Bem, a mãe de Lene completou 90 anos, 55 dos quais na Soka Gakkai. Venceu um câncer de mama e no ano passado realizou o sonho de viajar para a Itália. “Atualmente, estamos na terceira geração de praticantes, todos líderes atuantes”, orgulha-se Lene.


Juramento é tudo

Em 2020, quando a família completou cinquenta anos de Soka Gakkai, Lene ainda desfrutava o sabor da vitória de ter ido ao Japão no ano anterior, para participar de um curso de aprimoramento Soka e misticamente ter comemorado seus 49 anos de prática, realizando sua oração determinada no Auditório do Grande Juramento pelo Kosen-rufu (Daiseido). “Naquele momento, a vida passa diante dos nossos olhos e também quanto o budismo solidificou nossas crenças e a visão de mundo”. Foram anos a fio. Lene e o marido, Xanctus, atuaram dinamicamente na Juventude Soka, moraram em São Paulo por onze anos e, de volta ao Rio, viram os filhos crescerem nos jardins Soka. “Ali, no Daiseido, jurei dedicar minha vida, avançando junto com o mestre. Se estamos vivos, precisamos usar toda a nossa energia para não desperdiçá-la”.

E foi justamente esse juramento a âncora que a manteve firme, quando foi acometida de febre alta por três dias consecutivos, sem nenhuma causa aparente, no início de 2023. Após consulta médica e um primeiro exame detectando um caroço do lado direito do estômago, seguiu-se a investigação clínica. Era câncer no intestino, resultado transmitido pela médica com olhar pessimista. “Eu não vou morrer! Tenho a máxima confiança no poder da Lei Mística, o Nam-myoho-renge-kyo.” Era a certeza da vitória, surgindo como a flor de lótus que floresce do lodo, dando vida às palavras de Ikeda sensei:

Não há força que supere a força da oração. Mesmo diante das piores tempestades do destino, orem firme daimoku determinando: ‘Chegou a hora! Agora é o momento de transformar veneno em remédio!’. Tudo está incluído no Nam-myoho-renge-kyo.1

Reprodução/Foto-RN176 Junto com o marido e os filhos

Com o coração tomado de esperança pela realização de 4 milhões de daimoku, Lene seguiu para uma cirurgia com um quadro delicado de anemia, pesando 29 quilos. “Meu coração estava tranquilo, convicto da vitória.” A emoção foi intensa quando, ao acordar do procedimento, recebeu palavras de considerações enviadas por Ikeda sensei, que fortaleceram sua missão de “Viver a todo custo”.


Lutar sem trégua

Após a cirurgia, foram dias desafiadores, tendo de lidar com a bolsa de estomia, tratar a anemia persistente, e enfrentar uma trombose na perna esquerda causada por falta de movimento. Para a segunda etapa do tratamento, ela iniciou a quimioterapia convicta de que não sentiria nenhum sintoma negativo. Vitória! Era o que bradava, sem deixar de ir às atividades de fim de semana. Depois de concluir a quimio, exames revelaram: “Não existe mais nenhum sinal de doença!”.

Reprodução/Foto-RN176 Foto de destaque da matéria

Os médicos constataram que poderiam fazer a reconstrução do intestino (retirada da bolsa) e retirar a vesícula que estava com muitos cálculos. “A doutora apontava para mim e dizia: ‘Esse resultado é graças a ela, que estava no comando’”. Com sucesso, foi realizada nova cirurgia.


Oceano de gratidão

Lene segue firme em recuperação. Ela avança ultrapassando as tempestades com a gratidão de quem se vê num oceano de possibilidades, dando sentido a cada dia. Não perde as chances de apresentar o budismo às pessoas, inspirando à prática da fé cerca de trinta famílias em sua trajetória. E não foi diferente durante os processos de internação nesses últimos anos. Sentindo o olhar de uma das médicas que a atendeu, Lene falou do poder do Nam-myoho-renge-kyo, criando laços de confiança e de amizade que prosseguem. “O daimoku e o companheirismo Soka nos dão força para resistir, transformar e vencer”, emociona-se Lene, encerrando seu relato com uma declaração de máxima esperança de Nichiren Daishonin: “O Nam-myoho-renge-kyo é como o rugido de um leão. Que doença pode, portanto, ser um obstáculo?”2

Lene empodera-se: “Nascemos para ser felizes. Muito obrigada!”.

Lenecleide Silva Vaz, 62 anos, pedagoga. Na BSGI, é coordenadora da Divisão Feminina da Coordenadoria Rio Oeste, CGERJ.

Notas:

1. Brasil Seikyo, ed. 2.197, 28 set. 2013, p. A4.

2. Coletânea dos Escritos de Nichiren Daishonin. São Paulo: Editora Brasil Seikyo, v. I, p. 431, 2020.

FONTE: JORNAL BRASIL SEIKYO